![]() |
Nem sempre o que escrevemos é aquilo que realmente estamos sentindo. Arranjar palavras com tinta é outra coisa, se eu fosse escrever como falo ninguém lia. Cindy Fujii @panchess_ |
Pra quem não conhece, no famoso livro de J.K. Rowling (Harry Potter) existe um personagem chamado Dobby, que é um pequeno humanóide chamado de Elfo-doméstico. São criaturas nos qual passam suas vidas servindo uma família ou uma instituição, a não ser que sejam libertados eles continuarão a servir seus descendentes. Para serem libertados eles devem ganhar uma peça de roupa de seu dono. Esses Elfos não possuem uma cultura própria e existem somente para servir a família. Levando em conta todas essas características chegamos em uma pergunta: quantos Dobby’s não existem nesse mundo?
A sociedade atual é moderna, mas ao mesmo tempo vintage demais. Ou retrô de menos, onde aquele pensamento continua velho, só que tem cara de novo. É aquela coisa de todos possuírem a liberdade de expressão, mas quando se expressam a liberdade some. Ter liberdade é assim: você tem o direito de se manifestar livremente, ter suas próprias opiniões e poder expressá-las. São ideias e pensamentos que são expostos, não são censurados, diferente de ter algo te prendendo, fazendo com que a tal da expressão não tenha liberdade alguma. Hoje em dia nos expressamos de diversas formas, seja em músicas, textos, desenhos. Seja pela televisão, internet, cinema, teatro, um show. É uma sociedade que possui um conjunto de manifestações repleta de emoções, percepções, ideias. Tudo é arte, até a magia do Harry Potter é arte. Mas quando usamos a palavra arte com o significado de expressar aquilo que realmente somos acabamos sendo repreendidos.
Sabe o tal do preconceito? Foi preso junto com a tal da liberdade. Retrô demais pra essa sociedade. Se fosse considerar um personagem de ficcção seria o elfo-doméstico, daqueles que possuem sua própria magia, diferente da usada por bruxos e bruxas, a qual eles usam para servir seus mestres. Esses sim são os Dobby’s da vida. E quem são esses mestres? O próprio pensamento pequeno e medíocre deles.
Se essa coisa de dar uma roupa realmente existisse e fizesse com que o indivíduo ganhasse a liberdade o mundo estaria cheio de roupas por aí. Mas do jeito que as coisas são ninguém mais passaria frio, porém estariam vestidos todos com roupas sujas.
*Texto elaborado para o blog pontokunst da matéria de Mídia.
- Cindy Fujii
Semana que vem completaria três meses exatos de existência nessa nova cidade, mas era estranho e ao mesmo tempo tão intenso que uma semana passava como um dia e os três meses pareciam uma eternidade. Parecia que ela nasceu ali, parece que ela vive aqui faz um tempão - tempo suficiente pra se sentir em casa. Era sua casa, nova, mas sua casa. Era um tempo em que começava a viver intensamente, em conhecer novas coisas, em interagir com novas pessoas e respirar novos ares. Era tempo em que a saudade por um passado que nem estava tão distante assim desaparecera junto com a vontade que tinha de se mudar. E mudou. Tanto que vai fazer três meses que resolveu sair de casa pra ir atrás de seus sonhos. Ela tinha tanto receio, tinha tanto medo que hoje eles se transformaram em doces. Doces que ela se lambuzava todos os dias por aí, exalando seu cheiro pelos cantos da nova cidade. Saiu da zona de conforto e gostou. Era um gosto amargo, totalmente diferente do doce que costumava ter, mas novo - tão novo que no final acabou gostando. Gostou de um tanto que hoje procura sempre mais, pois sua vida começara a partir da ida - a sua vida começou no final da zona de conforto.
- Cindy Fujii
Ele foi pra Augusta, foi pra Paulista, foi pra qualquer canto de SP em busca de alguém. Não necessariamente alguém, mas algo que preenchesse o vazio que certas almas lhe roubaram pelo bares da baixa burguesia. Olhava nos olhos de cada indivíduo e não via nada. “Cadê os olhos intenso de um cidadão que vive numa cidade intensa?” Se perdeu. Já não era fácil encontrar brilho nas palavras das pessoas (como se fosse possível palavras terem brilho). Agora nesses tempos em que se vivia era quase impossível… Ele desistiu. Fazia mais de dois meses que havia se mudado de uma cidade indeterminada para uma cidade qualquer. Buscava barulhos de carros ecoando pela sua mente, luzes piscando em todas as esquinas, risadas de pessoas felizes que trabalharam o dia inteiro e se divertiam ao tomar uma dose de whisky no final do dia, numa mesa de bar. Ele encontrou. Improvável, alucinado, se perdeu entre a cidade, que de tão cheia se tornou vazia. E era assim que ele ia dormir. Era assim que os pensamentos tomavam conta ao deitar a cabeça sobre o travesseiro, recheado com vontades - vontade de encontrar um amor em SP, mesmo sabendo que “aqui ninguém fosse para o céu.”
- Cindy Fujii
(Source: tedio-fome-e-preguica, via the28day)
Era domingo ensolarado quando os raios de sol iluminavam os seus olhos. Eles brilhavam como diamantes, eram intensos, assim como nosso amor. Amor aquele que evaporou com a chuva que chegou logo em seguida, que molhou, que levou, que roubou o brilho dos seus olhos e levou pra algum lugar, longe de mim. Tarde demais, sumiu. Simplesmente sumiu. Queria ter te dito tanta coisa antes disso tudo evaporar… Tantas coisas que você já sabia, mas que se esqueceu devido aos últimos acontecimentos. O único motivo pra você ter permanecido longe de mim durante todo esse tempo era esse. Tinha que ser esse, pois não sabia ao certo qual era a explicação. - Dá pra parar de sumir da minha vida e voltar assim do nada e sumir de novo? Dá pra parar de sumir? - eu pensava comigo mesma. Hoje, já não penso mais. Hoje tudo sumiu e só sinto o vazio que você deixou em mim. Mesmo eu sabendo que você se foi, que talvez seja pra sempre, eu ainda tenho esperanças que um dia você irá voltar com seus olhos de diamantes iluminando os meus, preenchendo o vazio que um dia você deixou em mim. Cantando no meu ouvido palavras de romances perfeitos que só existiam em nossas histórias de amores, não tão perfeitos assim.
- Cindy Fujii
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma. A vida não para. Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso faço hora, vou na valsa… A vida é tão rara. Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência. O mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e o mundo espera de nós, um pouco mais de paciência.
Será que é tempo que lhe falta pra perceber ? Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber? A vida é tão rara. Tão rara…
A vida não para.
- Lenine
Não me reconheço mais. Acho que não reconheço mais quem eu sou, do que eu era, do que me tornei. Ou nunca me conheci e estou conhecendo agora. É estranho você se descrever de uma maneira em que as suas atitudes se contradizem com tudo o que você falou. Mais estranho ainda é se assustar com o que anda fazendo, tornando, sendo. Tempo. Nos últimos tempos não tenho achado mais nada. Achar é uma coisa tão ampla quando se trata de outra pessoa, de sentimentos, de duas vidas… Achar algo é o que as pessoas mais fazem. Achar que você não possui sentimentos, te acham uma bruxa, te acham uma puta, te acham de tudo quanto é coisa e nomes, mas na maioria das vezes não é relacionado com algo bom. O ser humano adora julgar as pessoas e não saber o que ela está passando. Passar. Passou-se o tempo que eu me preocupava com o que os outros pensavam de mim. Passou-se o tempo em que eu precisava provar para os outros aquilo que eu era. Passou-se o tempo de tentar conhecer os outros. E voltou-se o tempo em que me conhecer tornou o principal objetivo, pois tentar entender os outros é fácil, difícil é se auto-conhecer diante de todo esse mundo.
- Cindy Fujii
Quando eu disse que eu ia sumir, de fato, era o que eu queria. Mas sumir de você nunca foi tão difícil. A cada segundo eu tento não contradizer as minhas próprias palavras ao dizer pra não pensar em mim. Pense. Pelo menos espero que esteja pensando, pois não consigo parar de pensar em você. Eu sei que está lendo isso ou pelo menos acho que sim. Você, mais do que eu sabe que ultimamente não tenho achado mais nada. É tão confuso que ter uma opinião sobre algo nesses últimos dias tem sido uma missão quase impossível. Quase. E nesse quase eu fico aqui, tentando entender no que viramos, no que vamos virar quando essa brincadeira idiota completar um tempo necessário pra ser dita como passado. Um passado silencioso, um silêncio que nunca foi tão duro de ser mantido. Se eu não falo de ódio, não significa que eu não estou odiando. Se eu não falo de paixão, não quer dizer que eu não esteja apaixonada. Se eu não falo com você, não é uma indireta pra não falar comigo. Pelo contrário. Fale, ouça, grite, chore. Mas não pense. Vou me contradizer ao desejar que pense em mim, mas se esses pensamentos te machucarem é melhor não pensar mesmo. Mesmo que o pensar for em mim. E mesmo que eu esteja precisando de você.
- Cindy Fujii
Infelizmente o ser humano não consegue viver sozinho. Existe aquela necessidade de ter alguém perto, seja ao menos pra dividir um sorriso, um problema, um carinho, um bom dia. Daí você vai e fode com tudo, porque é egoísta ao ponto de usar o próximo apenas para satisfazer suas vontades. É assim, sempre foi. Sempre será. É aquele ciclo onde você procura alguém para preencher suas necessidades e depois esnoba de uma forma natural, como se aquilo fizesse parte de um processo da vida. Como se fosse algo pra se viver. E vive. Vive todos os dias com o pensamento de que o homem não foi feito para viver sozinho, mas mesmo assim tenta viver consigo mesmo. Sozinho. Ele e a vida - a vida e o mundo.
- Cindy Fujii
Tem beijo roubado, daquele que você não espera e não faz sentido algum. Mas tem sentido com beijo, quando você sente o que a outra pessoa quer dizer com apenas um lábio tocando algo. Tem beijo rápido, frenético, que alucina, te domina, te faz ficar sem fôlego. E tem aqueles beijos lentos, deliciosos, que faz teus olhos fecharem e te levar pra outra mundo. Tem uns beijos meio sem graça, que você apenas beija só pra não fazer desfeita. Mas tem aqueles que é único, que você leva pra sua vida inteira, um beijo carinhoso na testa, no canto da bochecha, no canto do coração.
Tem dia que a gente beija de tudo quanto é jeito. E tem vezes que a gente tira o beijo pra um dia.
- Cindy Fujii
Hoje é a primeira vez que ele chora desde que partiu. Um choro solitário, um choro de mansinho, um choro que só ele ouvia. Na madrugada ouvia os barulhos dos carros pela avenida movimentada - um movimento, uma insanidade que não existia até dois meses atrás.Tudo era tão diferente que acabou se acostumando rápido, até demais. Fumava, bebia, gozava em frente ao medo - pra que ter medo em um lugar em que ninguém o conhece? Fazia de tudo. Fazia o que queria - tanto é que fez seus amores virarem brinquedos, seus amigos virarem quadros, sua vida virar o caos…
”Abril” os olhos e descobriu que tudo não se passava de um sonho. Um sonho que talvez ainda esteja vivendo embalado pelas lágrimas - as primeiras desde que partiu.
- Cindy Fujii
“Começamos então um pequeno duelo verbal, eu e ela, por motivo minúsculo, do tipo que deveria ter sido rapidamente jogado para baixo do tapete do bom senso. Iniciamos o corte com uma miúda troca de farpas, fagulhas que foram crescendo, inflamando, acendendo, afiando, incitando nosso ego demoníaco e aos poucos, minando nosso ainda vivo discernimento. Sem que pudéssemos perceber, logo estávamos perfurando um ao outro com frases afiadas e verdades que nunca deveriam ter sido tiradas da última gaveta. Mirávamos no peito daquele que ainda ontem protegíamos com unhas e dentes, como se para sobreviver à recente hemorragia de verbos, fosse necessário ofender até fazer com que o outro sucumbisse às lágrimas molhadas de ódio e sumisse afogado em uma poça de humilhação.
Nosso duelo, cujo estopim nem sentido fazia, logo havia perdido o controle, e o pior, estávamos cegos para todos os sentimentos capazes de fazer com que aquilo se findasse. Estávamos tomados pela pior raça de vaidade existente e assim, desferíamos ofensas cada vez piores. Não queríamos perder, se é que era possível ganhar uma guerra tão imbecil e pior, não percebíamos o quanto cada murro desferido só nos aproximava da lona concreta.
Rangíamos os dentes e cerrávamos os punhos, enquanto tentávamos suportar nossos próprios defeitos, recém-cuspidos naquela sala, que dali em diante, já era de mal-estar.
Nossas veias da testa latejaram, incharam, estavam prestes a explodir, assim como nosso passado, presente ou planejado futuro. Tudo ali estava por um fio e esse, não partiu quando perdemos a voz ou quando enfim cansamos de tantas ofensas. Fizemos inclusive as pazes e amor, para tentar apagar os rastros daquele descontrole, mas nosso laço não resistiu, rasgou quando em nosso silêncio, passamos a ouvir as explosões e gritos daquela já findada guerra. Estrondos insuportáveis que diziam o quanto éramos egoístas, hedonistas, mesquinhos e tantas outras coisas verdadeiras, mas impossíveis de serem engolidas após terem sido escarradas da boca de quem mais amávamos.
No fundo, sabíamos de todos aqueles nossos defeitos, mas nossa vaidade não sabia como suportá-los quando ditos em voz alta, pela mesma boca que nos protegia deles e os calava, com beijos e elogios.”
- Ricardo Coiro
Era diário, era semanal, era mensal. Era tão intenso que durou apenas alguns milésimos perto do que acontecia entre a gente. Suspiros, beijos e alguns sonhos. Sonhos de algo que nunca iria conhecer - mas era bom sonhar, imaginar… Brincadeiras. Eu querendo ir embora e ele me puxando, me apertando, me segurando pra não me deixar ir. Chegava a me machucar com sua brutalidade, mas eu gostava disso. Do seu jeito bobo, das suas palavras acolhedoras e principalmente o seu olhar voraz. Ele me consumia pelos olhos, me dominava apenas com um olhar. Eu era dele, nem que fosse apenas mensal, semanal, diário. Ou apenas alguns milésimos…
Eu era do mundo - e o mundo era meu.
- Cindy Fujii
Tinha uma vontade intensa de ter tudo pra ela. Ter o fio de cabelo de cada cara que passava na rua. Ter um pouco do medo, ter um pouco do desejo, ter o que não tinha. Até ter. Usou, abusou, se lambuzou de tudo e todos. Trocou carícias com o próprio medo, partiu pro desejo de ser outra pessoa, pelo menos naquele dia. Gostou tanto de ser quem não era que acabou sendo pra sempre. Não, ela não era malvada - ela apenas queria ter todos ao mesmo tempo, sendo que ao mesmo tempo não queria ter ninguém. Ok, ela era meio malvada, mas tão só… Tão eu.
- Cindy Fujii